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Contributos da Guerra À Gastronomia e Tecnologia

16.05.18 | Nuno Martins

   Todas as crises humanas, sejam ideológicas, civis, políticas ou de supremacia entre nações, geram um estado de tensão e incerteza, até que se chegue a uma conclusão. 

   Estas crises, mesmo em proporções variadas : fazem com que os envolvidos trabalhem para uma solução. Assim, todas as perdas que ocorrem nos conflitos podem instaurar um período de grande criatividade. 

   É o caso das guerras por que passou a humanidade. O ser humano criou e desenvolveu muitos produtos e tecnologias que se tornaram legados importantes para as gerações futuras.

 

Criações com a Guerra 

  • Tripas à moda do Porto

  Tripas à moda do Porto é um prato tradicional nascido na cidade do Porto, e que, segundo uma lenda, remonta ao período dos Descobrimentos portugueses.

 

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O Infante D. Henrique, precisava de alimento para as suas tropas para tomar Ceuta em 1415 e pediu aos habitantes da cidade do Porto todos os alimentos. Todas as carnes que a cidade tinha foram limpas, salgadas e postas a bordo das embarcações, ficando a população unicamente com as miudezas para confecionar, incluindo as tripas. Foi com elas que os portuenses tiveram de inventar alternativas alimentares, surgindo assim o prato "Tripas à moda do Porto", que acabaria por se perpetuar até aos nossos dias e tornar-se num dos elementos gastronómicos mais característicos da cidade. Com ele, nascia também a alcunha "tripeiros", como ficaram a ser conhecidos os portuenses desde então.

 

 

  • Leite condensado

   Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), entre o norte industrializado e o sul escravizador, os americanos procuravam uma maneira eficaz de levar o leite dos quartéis às linhas de frente sem que se estragasse no caminho.

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Era preciso melhorar o armazenamento do leite, reduzir o seu volume e contornar a falta de refrigeração. Evaporar a água do leite e adicionar açúcar, para conservá-lo era uma boa ideia.

   Essa nova forma de tratar o leite  já existia na Europa desde 1828 e chegara aos Estados Unidos em 1853 pelas mãos do nova-iorquino Gail Borden.

   Tinha descoberto como produzir leite condensado industrialmente, e patenteou o método em 1856. Mas a ideia ficara esquecida até ao início da guerra, quando os estados do Norte incluíram o produto na ração básica das tropas, comprando-o em larga escala.

 

 

  • Margarina

    Tudo começou na França, na década de 1860, quando o país passava por uma crise económica e alimentar. 

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A manteiga era tão cara e escassa , que Napoleão III desafiara os cientistas a criarem um alternativa mais barata, oferecendo um prémio a quem o fizesse.

   O vencedor foi o químico Hipollyte Mergé-Mouriès, em 1869, com uma mistura de sabor razoável e preço acessível. Era feita à base de sebo de boi, úbere de vaca e leite, que, quando pronta, ganhava um tom pérola.

 

 

  • Panela teflon

    Em 1938, nos EUA, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, Roy J. Plunket realizava experiências com gases para refrigeração. Com o seu assistente, Jack Rebok, misturava gases como o clorofluorcarboneto (CFC) e o tetrafluoretileno (TFE), em busca de alternativas para refrigerar. 

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A experiência não saiu como Plunket planeara, mas o resultado foi uma substância na qual quase nada pegava, nomeada de politetrafluoretileno (teflon).

  Os primeiros usuários do politetrafluoretileno foram os militares norte-americanos, que aplicaram o teflon para revestir tubos na produção de material radioativo para a primeira bomba atómica. 

   Após 1945, o final da Segunda Guerra, a empresa em que Plunkett trabalhava encontrou diversas aplicações para o teflon e uma delas foi o revestimento não adesivo para panelas. 

 

 

  • Micro-ondasprimeiro microondas.jpg

    No início da Guerra Fria (1945-1991), Percy Spencer, um norte-americano que trabalhava na fornecedora militar Raytheon, notou que um chocolate no seu bolso tinha derretido enquanto  inspecionava as válvulas mecânicas usadas em radares, chamadas magnetrões.

 

 

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   Deduzindo que o incidente fora causado pelo calor gerado pelos magnetrões, Percy criou um aparelho para aquecer comida usando esse princípio. 

 

 

 

 

  • Computadordp002_0.jpg

    Mais um produto da Guerra Fria. O primeiro computador, chamado Eniac, surgiu nos EUA, em 1946, desenvolvido por engenheiros da Universidade da Pensilvânia, para auxiliar nos cálculos de artilharia. 

   pc-moderno-28894460.jpgA máquina, que tinha mais de 2 metros de altura, ocupava uma área de 15 por 9 metros e que custou por volta de 400 mil dólares, ajudou nos cálculos para construir a bomba de hidrogénio, testada pelos Estados Unidos em 1952.

Hoje em dia é um produto importante para a população, a preço muito mais acessível.

 

 

  • Internet

  O receio de um ataque soviético durante a Guerra Fria fez com que cientistas norte-americanos desenvolvessem uma rede de comunicação descentralizada, que permitisse dividir as informações em vários pedaços.

  A rede, chamada Arpanet, servia para disponibilizar apenas um bodepositphotos_12629798-stock-photo-internet-world-cado de todo o projeto, caso um espião da URSS conseguisse aceder às informações de uma unidade militar dos EUA.

 

  No início da década de 90, a rede mundial de computadores popularizou-se de forma avassaladora, tornando-se a mais importante de todas as invenções tecnológicas que já surgiram numa durante uma guerra.